sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Vida é um Eterno Recomeço - Plinio Montagner


Todos os dias fazemos escolhas. Qual o caminho? Aonde vamos primeiro? Qual vestido ou sapato?
Escolhas que não dão certo geram conflitos e comprometem a serenidade. Mas o que fazer? Ninguém tem certeza de nada.
Depois do erro nunca é tarde para fazer o retorno e achar um novo caminho. Assim, depois da saúde comprometida, do amor esmorecido, do emprego perdido, da casa saqueada, é preciso recomeçar, seguir em frente.
Ainda mais. Quando nossos relacionamentos estão ásperos, nossas casas e jardins imploram atenção, tudo isto pode ser reparado com o tempo, pelo trabalho, organização e paciência. Os problemas mais sérios são os que vêm do acaso. Gostemos ou não, um dia aparece do nada uma coisa ruim e nossa alegria esvai-se.
Escolhas são difíceis. Desculpas para escolher o diferente não têm muito a ver com indecisão, mas sim por medo de abdicar do conhecido. A cada dia somos mais presos às experiências vividas, e envelhecemos. Daí o medo de enfrentar o novo, o desconhecido.
É bobagem perder as oportunidades de gozar a vida e a saúde por medo de errar.
Todos os dias vivemos e morremos um pouco. A transformação do nosso corpo não pára. Isto é a prova da vida, de que estamos vivos. Mas não é para sempre. Por isto não podemos economizar a vida para o amanhã; pode ser um erro fatal.
O filho de um amigo meu, de saúde perfeita, jovem, numa noite calma, em sua casa, em companhia de sua mulher e de seu filho de um ano, começou a sentir tontura e forte dor de cabeça. Teve um aneurisma cerebral.
É um fato previsível e que causa sofrimentos. Mas, embora pareça estranho, a doença não foi uma coisa ruim. Ela lhes dignificou a vida. Todos passaram a repensar sobre seus valores e a refazer planos. Perceberam como as amizades e a família são importantes.
São agora mais felizes porque entenderam o significado da finitude da existência.
E, se antes a ciência era esquecida, agora entenderam que ela é sinônimo de vida.
Meu amigo não teria agora a companhia de seu filho não fosse o diagnóstico rápido e a ação dos médicos que resolveram o problema por meio de uma técnica moderna de cirurgia endovascular.
Então, aquele canivete suíço, nosso violão, nosso relógio de ouro, a mansão e o Jaguar do vizinho, tudo isto não é nada, porque a vida muda num segundo; por isto o dia especial é o hoje. Tudo que é bom deve ser feito, e logo, ao invés de ficar remoendo o que não deu certo.
Não há idade certa para recomeçar a busca da felicidade e da paz.
Paremos de esperar a companhia certa para viajar; paremos para ouvir o ruído do riacho e o canto melancólico do sabiá no galho escondido; joguemos conversa fora; paremos de esperar o amanhã para o lazer. Trabalhemos menos. Ninguém sabe o seu crédito cronológico.
Ignoremos a grosseria, o descuido involuntário do empregado, a cara feia do garçom, a multa do guarda, a rigidez do pai, a desconsideração do chefe.
Tudo isto são picuinhas.
Lembrando Nietzsche: “O que não nos mata nos fortalece”, ou seja, sofrimentos trazem benefícios.

Por Plinio Montagner

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